quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

#01

Como tudo em minha vida, este blog começou pela inspiração em alguém, pois sempre fui uma sombra, os recortes de pessoas que passaram por mim ou que passei por elas. Criei isto para tirar todos os meus véus e mostrar-me à luz como sou: absolutamente dantesca! A minha ausência de beleza não é apenas externa, é interna também, ainda que involuntariamente.

Eu ouço e vejo elogios para mim que se perdem e não valem, pois eu sei que estes chegaram tarde demais, quando eles já não podiam me salvar. Eu nunca estudei ou me consultei; e tudo o que sei sobre mim mesma eu aprendi por conta própria, lendo, procurando em livros e sites. Talvez, a minha visão de mim mesma antes fosse normal e de tão paranoica por pensar que era louca, acabei ficando. O que sou hoje é resultado dos excessos passados, das palavras que em algum momento entraram não saíram mais.

É difícil falar sobre mim mesma, pois por muito tempo eu só me escondi. Eu não saio de casa. Eu não converso. Eu não me envolvo. Eu só observo; e, por isso, já percebi que as pessoas sentem um pouco medo de mim. Certo dia, no trabalho, eu disse a meus colegas: 

- Vocês já reparam que o perfil do cara que entra em uma escola e comete um massacre é sempre o mesmo: quieto, tímido, introspectivo, sem amigos...?
E me responderam, rindo e brincando:
- Parece contigo! Vai que algum dia tu entras aqui com uma arma e mata todo mundo!

Brincadeiras... A maioria dos meus traumas começou por brincadeiras. Inocentes ou não, mas brincadeiras que eu digo e finjo que superei enquanto cada uma é cravada em brasa em mim. As lágrimas me escorrem quando eu lembro dos risos que tive de compartilhar por estar tão sem graça ao ponto de não saber o que fazer. E, no fim, acabar me tornando igual e perversamente lúdica tal qual quem zombava. 

Como eu disse, eu sempre fui o recorte de alguém. Se tirarem uma foto de mim por dentro veriam o nada ou a forma de quem estou. É isso: eu estou e não sou. Se sou, sou volátil. Tão evasiva que nem meus sentimentos duram. Ainda pouco, lágrimas nasceram e secaram antes mesmo de caírem dos olhos. Agora estou frígida e aquele momento não parece ter sido meu.

O que eu escondo? Tudo!